Após dias a fio, madrugadas de trabalho intenso e
cansativo, eu a terminei, finalmente tinha terminado a mais bela obra prima, e,
meu deus, como ela tinha ficado perfeita, a minha mulher, a minha pintura, a
mais bela de todas, e após tanto tempo, eu vi que foi compensador e fiquei
algum tempo ali, apenas observando-a até ver o relógio, era 10 para a
meia-noite, então decidi deixar a minha mais nova obra prima ali, para que
pudesse secar durante a noite e fui para o meu quarto, fiz tudo o que uma
pessoa normal faz antes de dormir: ir ao banheiro, escovar os dentes e arrumar
a cama, e como estava tão cansado, nem coloque um pijama, dormi apenas com
minha camisa branca e cuecas.
Logo alguns minutos após deitar começo a ouvir o relógio
soar: meia-noite, e junto do relógio escuto uma grande agitação na minha sala,
incluindo o de pano rasgando e madeira se quebrando e penso: O meu quadro? E
após essa sensação horrível dele ser roubado ou estragado, levantei da cama em
um único pulo, coloquei minhas calças e desci as escadas, e ao chegar à sala
senti meu coração se partir ao meio por achar que estava certo: meu quadro
estava ali, jogado ao chão e quebrado ao meio. ''mas como? E por quê?'' me
pergunto a mim mesmo em voz alta e então escuto um barulho na cozinha, e uma
explosão de raiva me conduz até a mesma com as duas partes do quadro quebrado
em minhas mãos e ao chegar e ver quem estava ali, fico paralisado sem reação
alguma e acabo deixando as metades caindo. ERA ELA!
Mas como isso seria possível? Um desenho se tornar realidade?
Não, não era miragem de minha cabeça, era ela mesma, de carne e osso e caída no
chão da minha cozinha.
Quando alguém está assustado e com medo de você qualquer
movimento bruto pode aparentar um sinal de ataque, e então tentei ao máximo ser
cauteloso, me abaixei diante dela e estendi minha mão tentando transmitir o
máximo de simpatia e segurança possível pelo olhar e esperei alguma resposta dela.
Quem entende de linguagem corporal e de sentimentos, vai entender que o que eu
fiz foi o certo, e sabe que eu vou dizer que funcionou, e ela estendeu sua
delicada e doce mão cautelosamente de volta para mim.
Quando ela me tocou com suas mãos de veludo, senti uma
sensação muito boa, não como estar apaixonada, mas sim de estar seguro, uma
sensação de paz interior como se fosse um anjo me tocando e passando toda sua
doçura e ingenuidade para mim, eu ajudei ela a se levantar com todo o cuidado
possível e quando finalmente de pé, Angelina (foi o nome que dei a ela fazendo
jus à dona) tentou andar, mas como esse deveria ser seu primeiro dia em pé (e
com vida) suas pernas estavam muito fracas fazendo-a tropeçar em cima de mim e
me encarar de perto com aqueles lindos e profundos olhos que me penetravam a
alma e então a coloquei de pé novamente e dancei a mais suave valsa com ela que
aos poucos conseguia andar e dançar cada vez mais firme e ao mesmo tempo suave.
O tempo foi passando depressa e logo, já estava quase
amanhecendo e eu estava cada vez mais cansado, e vendo aquilo, Angelina me
ajudou a subir para meu quarto e me deitou na cama, e a ultima coisa que me
lembro era dela deixando o quarto.
Após acordar faminto desço as escadas ansioso para ver
minha doce Angelina, mas apenas encontro o quadro intacto, jogado no chão da
cozinha.A única certeza de que tudo não foi um sonho,era a bagunça
que estava a minha casa, e então feliz eu coloco o quadro na mesa e vou
comer algo, e então o dia passa devagar,mas finalmente passa, e então o relógio
toca e chega a meia-noite...
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