terça-feira, 12 de maio de 2015

O Desenho

Após dias a fio, madrugadas de trabalho intenso e cansativo, eu a terminei, finalmente tinha terminado a mais bela obra prima, e, meu deus, como ela tinha ficado perfeita, a minha mulher, a minha pintura, a mais bela de todas, e após tanto tempo, eu vi que foi compensador e fiquei algum tempo ali, apenas observando-a até ver o relógio, era 10 para a meia-noite, então decidi deixar a minha mais nova obra prima ali, para que pudesse secar durante a noite e fui para o meu quarto, fiz tudo o que uma pessoa normal faz antes de dormir: ir ao banheiro, escovar os dentes e arrumar a cama, e como estava tão cansado, nem coloque um pijama, dormi apenas com minha camisa branca e cuecas.
Logo alguns minutos após deitar começo a ouvir o relógio soar: meia-noite, e junto do relógio escuto uma grande agitação na minha sala, incluindo o de pano rasgando e madeira se quebrando e penso: O meu quadro? E após essa sensação horrível dele ser roubado ou estragado, levantei da cama em um único pulo, coloquei minhas calças e desci as escadas, e ao chegar à sala senti meu coração se partir ao meio por achar que estava certo: meu quadro estava ali, jogado ao chão e quebrado ao meio. ''mas como? E por quê?'' me pergunto a mim mesmo em voz alta e então escuto um barulho na cozinha, e uma explosão de raiva me conduz até a mesma com as duas partes do quadro quebrado em minhas mãos e ao chegar e ver quem estava ali, fico paralisado sem reação alguma e acabo deixando as metades caindo. ERA ELA!
Mas como isso seria possível? Um desenho se tornar realidade? Não, não era miragem de minha cabeça, era ela mesma, de carne e osso e caída no chão da minha cozinha.
Quando alguém está assustado e com medo de você qualquer movimento bruto pode aparentar um sinal de ataque, e então tentei ao máximo ser cauteloso, me abaixei diante dela e estendi minha mão tentando transmitir o máximo de simpatia e segurança possível pelo olhar e esperei alguma resposta dela. Quem entende de linguagem corporal e de sentimentos, vai entender que o que eu fiz foi o certo, e sabe que eu vou dizer que funcionou, e ela estendeu sua delicada e doce mão cautelosamente de volta para mim.
Quando ela me tocou com suas mãos de veludo, senti uma sensação muito boa, não como estar apaixonada, mas sim de estar seguro, uma sensação de paz interior como se fosse um anjo me tocando e passando toda sua doçura e ingenuidade para mim, eu ajudei ela a se levantar com todo o cuidado possível e quando finalmente de pé, Angelina (foi o nome que dei a ela fazendo jus à dona) tentou andar, mas como esse deveria ser seu primeiro dia em pé (e com vida) suas pernas estavam muito fracas fazendo-a tropeçar em cima de mim e me encarar de perto com aqueles lindos e profundos olhos que me penetravam a alma e então a coloquei de pé novamente e dancei a mais suave valsa com ela que aos poucos conseguia andar e dançar cada vez mais firme e ao mesmo tempo suave.
O tempo foi passando depressa e logo, já estava quase amanhecendo e eu estava cada vez mais cansado, e vendo aquilo, Angelina me ajudou a subir para meu quarto e me deitou na cama, e a ultima coisa que me lembro era dela deixando o quarto.
Após acordar faminto desço as escadas ansioso para ver minha doce Angelina, mas apenas encontro o quadro intacto, jogado no chão da cozinha.A única certeza de que tudo não foi um sonho,era a bagunça que estava a minha casa, e então feliz eu coloco o quadro na mesa e vou comer algo, e então o dia passa devagar,mas finalmente passa, e então o relógio toca e chega a meia-noite...